Centenário de Euclides Neto
Euclides José Teixeira Neto, advogado e agricultor, nascido e criado na região cacaueira da Bahia, conhecia como poucos os dois ecossistemas importantes, complexos e, ao mesmo tempo, frágeis: a Caatinga e a Mata Atlântica, além de contar com uma vasta experiência sobre a vida, a natureza, as relações sociais e afetivas dos seus habitantes – o seu povo. A Bahia é um dos estados onde se concentram os maiores e mais graves problemas sociais, particularmente rurais, do Brasil.
Autor de mais de uma dezena de livros, foi romancista e articulista conceituado, tendo ainda sido Secretário de Reforma Agrária e Cooperativismo do governo da Bahia, quando teve a oportunidade de demonstrar o seu apego à terra e ao homem do campo, tema de seus livros.
Em 1986, quando nomeado pelo governador da Bahia para a pasta de Assuntos Fundiários e Reforma Agrária, Euclides Neto, comunista moderado, combateu o nepotismo.

HOMENAGEM COMO DR.OCRIDE
Sobre sua carreira jurídica, Euclides Neto, em entrevista ao jornal A Tarde (18.02.1990), comentou: “advoguei por 40 anos e nunca para firmas ou exportadores de cacau. Sempre defendi trabalhadores rurais”.
Na produção literária, Euclides Neto, ao longo de sua vida publicou catorze obras, entre romances e crônicas, predominantemente, tratando das desigualdades nas condições de vida entre os “senhores do cacau” e os trabalhadores rurais. Sobre a produção literária de Euclides Neto, o jornalista e poeta Elieser César, em seu livro o Romance dos excluídos: Terra e política em Euclides Neto, afirma que:
“Em toda obra de Euclides Neto […] há essa clara intenção pedagógica, fruto da escolha ideológica do autor pelos pobres, perseguidos e humilhados: denunciar as mazelas do capitalismo (emblematizados no campo pelo latifúndio), numa crítica radical ao sistema econômico que provoca a degradação do ser humano e a exclusão social, através de uma economia de mercado que visa apenas o lucro de uma minoria e condena à fome, impondo como única saída a mais absoluta das privações a venda da força de trabalho a preço vil.”




